O que fazer diante de uma vida sem sentido? - Uma reflexão sobre o vazio existencial


Você já se sentiu vazio? Como se você fosse um ninguém, um pedaço de matéria do tamanho (ou menor) de um grão de areia, diante de um vasto universo, vagando sem rumo?


Para ilustrar, seria como se fossemos bolhas de sabão, voando pelo ar, até a hora de estourar (a hora em que tudo acaba), e meio que você se sente uma bolha à parte, que simplesmente está ali. Já se sentiu assim?

Caso tenha sentido isso, mas não soube dar nome, te apresento o vazio.

Nós não temos apenas necessidades físicas, como nos alimentar, mas também temos necessidades psicológicas.

A grande questão que sempre surge é: Qual o sentido de estar vivo?


Mas, por que precisamos de um sentido?

Ficamos tão preocupados em buscar o que daria, supostamente um sentido à nossa existência, que olhamos demais para o futuro.

Uns procuram o sentido através do dinheiro, a frase é como se fosse uma programação feita em cada ser humano, a frase é praticamente a mesma para todos, só muda o que eu chamo de "Elemento X da felicidade".

"Só vou ser feliz e completo quando tiver milionário!"

"Só vou ser feliz quando me casar"

"Só estarei realmente feliz quando tiver X coisa"

Durante o percurso para chegar ao Elemento X da felicidade, as pessoas até sentem ansiedades antecipam coisas, se preocupam exageradamente.

Mas, por quê não podemos só viver?


Acabamos por deixar o
Elemento X da felicidade ser mais importante que o próprio AGORA, sendo que, na verdade, não sabemos se iremos estar vivos amanhã.
Tudo isso acontece porque a nossa mente não lida bem com incertezas, precisamos

sempre achar que temos o controle e tudo, mesmo ué isso seja uma ilusão em nossas mentes.

Mas, como ter controle em um mundo como esse? Crises políticas, econômicas, dificuldade de arrumar emprego, nossas conquistas e trabalho cada vez mais passam a valer menos. 

E tudo isso só piora ao entrarmos nas redes sociais.

O PROBLEMA DAS REDES SOCIAIS.

De um lado da tela, temos pessoas extremamente felizes, compartilhando suas vidas
incrivelmente perfeitas, através de pixels e vídeos sedutores.


As redes sociais estão afundando muitos de nós em tristeza.

"Ah não, você está dizendo que tudo isso é por causa das minhas redes sociais!? Você está maluco!"

Tudo bem, mas faço uma afirmação para você, então!

Você usa as redes sociais diariamente, não é mesmo? Twitter, Instagram e o Tik Tok. E você está muito feliz, não é mesmo?!

Você passa três, quatro, cinco horas por dia nesses apps, e depois de algumas risadas dos memes, você desliga o celular, e você continua feliz, não é?


É claro que não.

Antigamente as pessoas usavam as redes sociais como refúgio dos problemas, hoje a vida fora das telas ocupa o esse lugar de "refúgio", até porque, você vive mais conectado com a internet do que com a realidade.

E não percebemos isso porque os picos de dopamina (hormônio do prazer e felicidade) gerados cada vez que você rola a tela são extremamente altos, gerando um vício.

Cada hábito exige uma recompensa no final dele, por exemplo, você come um bolo delicioso e logo após fica feliz. Você pode até pensar que, por ser um hormônio da felicidade, vai deixar você cada vez mais feliz, mas, não é bem assim que funciona. Ainda no exemplo do bolo; sua felicidade vai ficar associada a comer bolo, e para comer mais e mais bolo para ficar feliz, e cada vez mais você vai ingerindo açúcar, você vai virando cada vez mais propenso a ter diabetes, e cada vez mais seu peso vai aumentando.

A dopamina é a explicação disso tudo. Dopamina tem o poder de criar um viciado, ou como as plataformas chamam, USUÁRIO.

Já percebeu qual outro segmento chama seus adeptos de usuário? O de drogas.

OLHANDO A SUA VOLTA.

Ainda de outro lado tem as pessoas mais velhas, que insistem em afirmar que, na sua idade, já estavam casadas, com três filhos, uma Brasília amarela na garagem, e uma carteira cheia de cruzeiros, tendo dinheiro de sobra.


E desse lado, está você, vendo as vidas extremamente felizes e perfeitas, e comparando com a sua. Você não tem um ótimo carro, nem semelhantes ao do Thiago Finch, você provavelmente ainda mora com seus pais, não é casado, muito menos tem namorados, sua vida não parece nem um pouquinho feliz.

Associamos felicidade ao que vemos nas redes sociais.

Diante disso tudo, surgem algumas perguntas:

"Por que eu não consigo ser feliz como as pessoas?"

"Por que as outras pessoas tem isso e eu não?"

"Por que eu não consigo namorar?"


E, ainda, diante dessas dúvidas, surge a ansiedade, frustração, vazio emocional, depressão, e surge o que chamo de
Quedas de máscaras.

QUEDAS DE MÁSCARAS.

Os nossos ídolos e heróis vão se tornando farsantes, reflexos do mundo ao redor.

Crescemos achando que os adultos são os mais sábios do mundo, gênios, e simplesmente tinham a resposta absoluta para tudo.


Mas vem a internet e mostra que ninguém sabe tudo, e tudo pode ser questionado. Surgem debates sobre direita e esquerda política, terra plana ou terra globo, religião e ateísmo, ciência e filosofia, sobre quaisquer assuntos, há gente de ambos os lados tentando refutar e lacrar, e a verdade vai se tornando relativa, e o que tínhamos certeza, acabamos não tendo mais.


Isso tudo só aumenta aquela sensação que disse anteriormente, a incerteza. A internet nos revelou que ninguém tem resposta para tudo.

E nisso, para melhorar, surgem os charlatões, e gente nova, adolescentes, jovens adultos, vão aos poucos sendo levados pelo efeito manada, acreditando em ideias sem sentido que esses charlatões inventam, e essas idéias vão de encontro ao vazio que sentem, saciando a sua sede por algo, eles aparentemente tem o Elemento X da felicidade. A DURA REALIDADE.

Vivemos nessa realidade, tudo é terreno fértil para solidão.


Temos a impressão que vivemos em um mundo que não foi feito para nós, e com isso, cada vez mais pessoas se suicidam, e cada vez mais jovens, crianças e jovens adultos, uma pesquisa recente diz que a faixa etária de suicídio está entre 16 e 39 anos.

E para piorar, vivemos em um ciclo em busca do Elemento X da felicidade. 

Vamos imaginar que o seu Elemento X seja arrumar uma esposa.

Você vai a academia só para ficar musculoso e impressionar ela com seu shape e seus bíceps de 35cm. Cursando uma faculdade "famosinha" para impressionar essa mulher, dizer que temos uma mente brilhante. Passamos perfume para que ela se apaixone por nosso delicioso cheiro. Fazemos dentes de porcelana para ficar com um sorriso lindíssimo. Compramos roupas caras, carro do ano, jóias, tudo para chamar a atenção, e ainda postamos nos stories com a legenda: "Obrigado Papai do céu!".


Às vezes conseguimos o
Elemento X, mas às vezes não. Conseguindo ou não, o final é sempre o mesmo, o vazio vem novamente.

O que eu estou querendo dizer é que, o Elemento X da felicidade é momentâneo, ele não preenche um vazio que é eterno. O vazio é grande demais para ser preenchido por coisas temporais. 

"Beleza, gênio, mas como lidar com o vazio existencial?"

COMO LIDAR COM O VAZIO EXISTENCIAL?

Não existe uma única resposta, a filosofia nos apresenta diversas maneiras.

O Existencialismo é uma das maneiras. O Existencialismo sugeria que o jeito mais fácil de acabar com nossas vida é buscando aprovação dos outros, até porque, ou você dá sentido a sua vida, ou o sentido dela será dado pelos outros, e irão te rotular, dizer o que você deve fazer, o que deve ser.

Jean Paul Sartre, um existencialista, diz:

"Você é responsável pelo sentido da sua vida".

Ou seja, você é o único que pode dar sentido a sua vida, escolhendo o melhor jeito de viver, até porque, o melhor jeito de viver é o que deixa você feliz.


Isso não significa que você possa virar o Thanos e querer acabar com tudo, até porque, cada escolha tem sua consequência.


Através do existencialismo, surgem algumas questões que devemos fazer a nós mesmos, como:

"Por que faço o que eu faço?"

"Estou fazendo isso para impressionar alguém ou fazendo porque eu quero?"

"Estou querendo me auto afirmar ou fazendo porque eu gosto?"

Essas perguntas questionam coisas que possivelmente nos trarão ansiedade.

Você não é idiota ou burro porque não tirou 10 na prova, nem por que não passou no
vestibular, ou porque trancou/abandonou a faculdade, nem porque não escolheu ou não sabe qual profissão você quer, nem se não conseguiu emprego.

Não se culpe, nem fique ansioso por nada disso, afinal, a vida não é uma corrida, e sua vida não vai deixar de valer a pena por não conquistar tal coisa.


Veja bem, analise o seu pet, cachorro, gato, ou outro animal. Por quê ele existe? Não tem uma razão certa para ele existir, mas, putz, que bom que ele existe, né? Afinal, você pode brincar com ele, apreciar sua fofura, e ver as gracinhas que ele faz, e eu garanto que ficar sem ele traria uma falta imensa.

Ver beleza no que, por algumas vezes, aos nossos olhos é supérfluo, é uma ótima forma de viver em um mundo cinza, triste e sombrio.

O agora é o momento mais importante que existe.

Albert Einstein disse:

"Aprenda com o ontem, viva o agora, esperança para o amanhã".

Como eu disse anteriormente, essa impressão que temos que só vamos ser felizes quando alcançarmos o Elemento X, é a maior ilusão que se pode ter.

Se você não está feliz agora, não estará feliz ao alcança-lo. E se não está feliz hoje, é sinal que algo está errado.

Encare a realidade de que toda a existência não seria a mesma sem você, pois entre 8 bilhões, você é único, e faria total diferença se deixasse de existir.


Seja gentil consigo mesmo. Não se cobre tanto, apenas busque sua felicidade. Você é o co-autor da sua vida, dê sentido a ela, tome as rédeas da sua vida e viva, viva intensamente, cheire cada flor, aprenda uma palavra nova, um hobbie novo, faça um curso, abrace, beije, diga que ama, sorria, faça mais uma refeição, converse com um estranho, dê bom dia a um mendigo, viva como se só existisse o agora, pois, é somente isso que é existe.


Luis Eduardo.